4 de setembro de 2008

Outono

Tempo de tapetes de folhas secas no chão,

da natureza se vestir em tons de amarelo e vermelho,
e de cogumelos.

                                      Rua do cemitério


Dias cinzentos e ventosos. O chão começa a se cobrir de folhas amarelas de diferentes tamanhos e formatos. É bonito, mas às vezes me enche de melancolia. Quando vou caminhando para o trabalho, vou pela rua da igreja e do cemitério, que é para cortar caminho - aqui os cemitérios ficam sempre ao lado da igreja da cidade. É uma alameda sossegada com praticamente nenhum tráfego.
As árvores estão se vestindo de amarelo e o vento, que sopra o tempo todo, carrega as folhas com delicadeza, como se dançasse com elas e então as deposita suavemente no chão. O som que chega até os meus ouvidos é a melodia das folhas secas e do canto dos pássaros. Vou caminhando sozinha com meus pensamentos, parando de vez em quando para apreciar mais detidamente uma flor, um cogumelo, um pássaro distraído. É um tempo de preparação da natureza. Preparação para os longos meses de inverno, sob a neve. É outono para mim também, no meu coração. Tempo de me preparar para o inverno, para os longos dias de escuridão e silêncio. Tempo de me guardar para a primavera, quando a vida se mostra plena de luz, cores e sons outra vez.

11 de agosto de 2008

Esperança

Tirei esta foto a pouco mais de um ano e apesar de ter alguns milhares de fotos que tenho tirado desde que aqui vim pela primeira vez, esta é uma das minhas preferidas.
O sol e o mar. Se eu fosse dar um nome para esta foto, seria "esperança". Não há noite, por mais escura que seja, que não seja sucedida pela luz do sol e não há imensidão nenhuma que fique oculta dele. É como o velho ditado "não há bem que nunca acabe e nem mal que dure para sempre", tudo no universo é de certa forma regido por ciclos que se repetem. Os bons momentos passam tão rápido enquanto os maus momentos parecem se arrastar durante uma eternidade.
Porém, é bom lembrar que ainda que o sofrimento pareça eterno, não é. Um dia ele acaba. É exatamente o que esta foto significa para mim: o sol nasce todos os dias e enquanto assim for, pode-se mudar a guerra em paz, a tristeza em alegria, a morte em vida. A esperança é o sol do nosso coração que renasce dia após dia.

7 de agosto de 2008

Será?



Será que Cristina volta,
será que fica por lá?

Será que ela não se importa
de bater na porta pra me consolar?

Noite dia me pergunto,
meu assunto é perguntar.

Será que Cristina volta,
sei lá se ela quer voltar.

Será que Cristina volta,
será que fica por lá?

Cheio de saudades suas
procuro nas ruas quem saiba informar.

Uns sorrindo fazem pouco,
outros me tomam por louco.

Outros passam tão depressa
que não podem me escutar .

Será que Cristina volta,
será que ela vai gostar.

Será que nas horas mais frias das noites vazias
não pensa em voltar?

Será que vem ansiosa,
será que vem devagar?

Chico Buarque

1 de agosto de 2008

A fantástica vida


De volta da minha viagem ao Brasil. Ainda cansada e de saco cheio da paranóia dos aeroportos europeus. Deixo abaixo um texto, que soa mais como uma oração, mas que tem tudo a ver com meu atual estado de ânimo.

Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam...
Que eu não perca o OTIMISMO,
mesmo sabendo que o futuro que nos espera pode não ser tão alegre...
Que eu não perca a VONTADE DE VIVER,
mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...
Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...
Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver,
reconhecer e retribuir, esta ajuda...
Que eu não perca o EQUILÍBRIO,
mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia...
Que eu não perca a VONTADE DE AMAR,
mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo
pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR,
mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo
escurecerão meus olhos...
Que eu não perca a GARRA,
mesmo sabendo que a derrota e a perda
são dois adversários extremamente perigosos...
Que eu não perca a RAZÃO,
mesmo sabendo que as tentações da vida
são inúmeras e deliciosas...
Que eu não perca o SENTIMENTO DE JUSTIÇA,
mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu...
Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO,
mesmo sabendo que um dia meus braços estarão fracos...
Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VER,
mesmo sabendo que muitas lágrimas
brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...
Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA,
mesmo sabendo que ela muitas vezes
me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...
Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR
que existe em meu coração,
mesmo sabendo que muitas vezes
ele será submetido e até rejeitado...
Que eu não perca a vontade de SER GRANDE,
mesmo sabendo que o mundo é pequeno...
E acima de tudo...
Que eu jamais me esqueça
que Deus me ama infinitamente!
Que um pequeno grão de alegria e esperança
dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa,
pois... A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS E CONCRETIZADA NO AMOR!

Não encontrei a autoria do texto, mas seja lá de quem for, é lindo e verdadeiro demais.

13 de julho de 2008

Para você mãe...

As lágrimas escorrem face abaixo,
mas a dor persiste.
O tempo...
Ele nos dá e nos tira.
Ele nos aproxima e nos distancia.
O tempo...
nada nem ninguém resiste a ele.
A pele se dobra em pregas,
a visão embaça e os ossos esfarelam.
O espírito porém, permanece intocado.
E o próprio tempo é a esperança.
Esperança do reencontro,
em outro tempo, em outro lugar.
E o adeus que agora pesa sôbre os ombros,
será com o tempo apenas "até breve"...

7 de julho de 2008

Vad heter det på svenska?- Como é isso em sueco?


Estou preparando um material de revisão dos meus cursos de sueco e vou colocar o material aqui no blog para quem quiser aprender algum sueco bem básico ou for curioso a respeito da língua. Começo com as palavras mais usadas no cotidiano e futuramente, as frases mais usadas na linguagem do dia-a-dia. Estou me baseando nas minhas próprias dúvidas e necessidades de quando comecei a aprender sueco. Teria sido muito mais fácil se eu tivesse tido algum material de consulta em português. Quando estudei no SFI (Svenska för invandrare - Sueco para Estrangeiros) e nos cursos de sueco em nível básico e em nível equivalente ao nosso segundo grau, tive que usar dicionário de sueco-espanhol e sueco-inglês por falta de um dicionário sueco-português mais completo. As edições de bolso dos dicionários sueco-português-sueco são muito boas mas não são muito abrangentes. Para visualizar a imagem em tamanho grande, clique com o botão esquerdo do mouse e para salvar clique com o botão direito do mouse e no menu clique em "salvar imagem como".

28 de junho de 2008

Mário Quintana

Seiscentos e sessenta e seis

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas: há tempo...
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, passaram sessenta anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem-um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mário Quintana: (In: Esconderijos do tempo)



Six hundred sixty six
Life is like chores we brought in as homework.
When we realize, it is already six: there is time…
When we realize, it is already Friday...
When we realize, sixty years have passed by!
Now it is too late for us to be unapproved…
And if I were given one day, one more opportunity, I would not even look at the clock.
I would always walk straight ahead…
And would walk along throwing the useless golden shells of the hours along the way…
Mario Quintana (In: Esconderijos do tempo)
" Um bom poema é aquele que nos dá a impressão que está lendo a gente... e não a gente a ele." Mário Quintana

16 de junho de 2008

Dia de chuva


Está chovendo. Olho através da janela os pingos caindo sem parar. Tuc, tuc, tuc... caem apressados do telhado. Olho as colinas ao longe envoltas em névoa de chuva, enormes silhuetas verdes no horizonte. O barulho da chuva e as colinas ao longe me transportam para outro lugar, em outro tempo. Na frente da casa havia uma varanda e um jardim. Na varanda, plantas com florezinhas amarelas que pendiam do teto eram uma cortina viva e perfumada. No canteiro esquerdo do jardim, rosas vermelhas. No canteiro direito, entre outras havia dalias, margaridas, alamandas e até um pé de pitanga. Havia seis degraus entre a varanda e o jardim, nos quais eu me sentava como se fossem o meu trono de rainha daquele mundo. A porta que dava para a varanda possuía uma janelinha de vidro verde, que podia ser aberta. Nos dias de chuva eu arrastava uma cadeira lá da cozinha até a porta, para alcançar minha janela mágica. O barulho da água, o cheiro de terra molhada misturado com perfume dos eucaliptos quase que me embriagava. Eu estendia o olhar para o horizonte e lá ao longe, eu via a silhueta enorme e verde do eucaliptal. Até onde meu olhar alcançava, era um mar de eucaliptos. Às vezes, passava na rua alguém com um guarda-chuva, preto se fosse homem e azul ou vermelho se fosse mulher. Eu pensava com meus botões que um dia eu iria caminhar sob a chuva com um lindo guarda-chuva vermelho, que daria cor ao dia cinzento. O guarda-chuva vermelho nunca se tornou realidade para mim e hoje mais do que nunca é o símbolo dos meu sonhos de infância, eternizados na minha memória. 

12 de junho de 2008

Alegria


ALEGRIA
Alegria é sentir vontade de cantar quando o sol da manhã, através da janela, vem me despertar. É sentir no rosto a brisa perfumada que vem da floresta. É sentir o coração palpitar quando ele deixa um recado na porta da geladeira, dizendo: Eu te amo! Alegria é um cãozinho brincando com uma bola. É cheiro de terra molhada depois da chuva. É ouvir ao longe aquela música que traz uma boa lembrança. Alegria é olhar para o céu e pedir a alguma nuvem peregrina para levar um recado a alguém querido que esteja muito longe. É uma xícara de chocolate quentinho depois de uma caminhada na neve. É ver as sementes que se plantou se transformarem em lindas flores. É dançar, cantar e pular, apenas para sentir a liberdade que pulsa nas veias. Alegria é ver o rosto da pessoa amada quando digo “eu te amo”, são os pássaros cantando nas manhãs ensolaradas, as árvores balançando ao vento, o barulho da chuva...
Alegria é abrir o coração pra Deus e sentir a Sua presença junto de mim, é o sorriso de uma criança, é tomar suco de fruta bem gelado num dia quente, é conversar com uma amiga querida. Alegria é sonho bom, é noite estrelada, é abraço de mãe.
Cris Mockaitis

6 de junho de 2008

Sveriges Nationaldag - Dia Nacional da Suécia

Hoje é feriado. É o Dia Nacional da Suécia e também o Dia da Bandeira, mas que somente passou a ser feriado a partir de 2005. Os suecos comemoram com festas e bandeiras em todos os lugares , em frente às casas e em lugares púlicos. Enfeitam suas casas com lindos buquês de flores amarelas e azuis, as cores da bandeira sueca. O dia 06 de Junho é o dia em que Gustaf Vasa foi designado rei, no ano 1523.

O dia está quente e ensolarado, são quase 2:00 h da tarde e a temperatura agora é de 30 graus, mas ontem às 8:00h da noite o sol brilhava pleno e a temperatura chegou a 45 graus


2 de junho de 2008

Sol, vind och vatten - Sol, vento e água












Sol, vind och vatten är det bästa som jag vet.
Men det är på dig jag tänker I hemlighet.
Sol, vind och vatten, höga berg och djupa hav.
Det är mina drömmar vävda av...

Sol, vento e água é o que de melhor eu conheço. Mas é em você que eu penso em segredo. Sol, vento e água, altas montanhas e mar profundo. É disso que são tecidos meus sonhos...
Ted Gärdestad